Esporte

Brasil perde o título mundial de vôlei para a Polônia

Polônia – Quarenta anos depois, a Polônia é campeã mundial de vôlei. Diante de um ginásio lotado, a equipe do Leste europeu conquistou seu segundo Mundial ao derrotar a seleção brasileira, de virada, por 3 a 1 (18/25, 25/22, 25/23 e 25/22), no Spodek Arena, em Katowice, na Polônia. Assim, a equipe da casa frustrou o sonho do Brasil, tri mundial de 2002, 2006 e 2010, que tentava chegar ao inédito tetracampeonato consecutivo em esportes coletivos, no masculino.

Logo ao fim da partida, em entrevista ao Sportv, o técnico Bernardinho, apesar de ter admitido que sua equipe perdeu muitas chances, fez uma série de críticas à Federação Internacional de Vôlei (FIVb), que é dirigida pelo brasileiro Ary Graça.

— A FIVB age de uma forma baixa demais. Puseram os únicos árbitros com quem tivemos problemas na última Liga Mundial e puseram atrás do nosso banco um repórter que é inimigo do vôlei brasileiro. Estou muito preocupado com o vôlei, porque a instituiçãso FIVB está mal — disse ele, acrescentando. — Mas perdemos porque eles jogaram mais bola.

Os onze mil lugares do Spodek Arena já estão ocupados. A arquibancada parece um mar vermelho e branco formado por torcedores que não param um minuto sequer de apoiar a seleção anfitriã. Bruninho que chegou criticar publicamente do comportamento de Kubiak, o camisa 13 da Polônia, é um dos mais vaiados pela torcida. Os dois se estranharam no jogo entre as duas seleções na terceira fase, que terminou com vitória dos anfitriões por 3 sets a 2. Fora do ginásio, uma multidão calculada em 40 mil pessoas está acompanhando por telões e torcendo. As ruas de Katowice estão vazias, e a expectativa dos poloneses é muito grande, já que desde 1974 o país não levanta o troféu de campeão mundial da modalidade.

No primeiro set, o Brasil começou melhor e chegou à primeira parada técnica com uma boa vantagem de 8 a 4, após dois pontos de Lucarelli. Um dos momentos de maior expectativa foi um rali de 34 segundos, quando placar era de 9 a 5 a favor do Brasil. Depois dessa sequência de toques de ambos os times, incluindo uma jogada com o pé, Wlazly explorou o bloqueio, marcando o sexto ponto polonês. Mais bem assentada em quadra e forçando o saque, a seleção brasileira ia mantendo sempre de três a quatro pontos de vantagem. O volume de jogo mostrado pela equipe do técnico Bernardinho era bem superior ao dos anfitriões e a parcial prosseguiu com ampla vantagem da equipe brasileira, que chegou aos 23/16, antes de encerrar o período em 25/18, em erro de saque de Winiarski, em 29 minutos.

A segunda parcial começou com a Polônia melhor na distribuição das bolas e com um ataque mais efetivo. Assim, abriu três pontos de frente, em 4/1. Mas o Brasil foi reagindo aos poucos, sempre bem no bloqueio e contando novamente com o poderio ofensivo de Lucarelli. Desta forma, igualou o placar em 7/7, antes de a Polônia chegar à primeira parada técnica deste set com 8/7. A equipe da casa continuou melhor e chegou aos 10/7, forçando o técnico brasileiro Bernardinho a pedir tempo. Num belo e disputado rali, a equipe anfitriã chegou a 11/7, em ataque do ponteiro Mika. O Brasil tentava reagir, mas, além de cometer alguns erros em ataques e saques, esbarrava na determinação do time da casa, sabedor de que se o Brasil abrisse 2 sets a 0, dificilmente conseguiria reagir na partida. A Polônia chegou a 17 a 11. Mas o Brasil começou a se aproximar da adversária no placar, diminuindo a diferença para apenas um ponto, com a passagem do levantador Bruno no saque. Um bloqueio de Lucão pôs o placar em 17 a 16 para o time da casa, fazendo com que os poloneses pedissem tempo. Na sequência, o marcador ficou igual em 17/17, 18/18, 19/19 e 20/20. A disputa, anteriormente bem favorável à Polônia, passou a ser ponto a ponto, até um bloqueio de Nowakowski dar à sua equipe uma pequena vantagem de 22/20, que se confirmou em 25/22, em 28 minutos.

Após ter baixado um pouco o volume dos gritos após o bom primeiro set do Brasil, a torcida local voltou a vibrar intensamente com o empate do jogo. No terceiro período, a Polônia voltou com o experiente levantador Zagumny como titular, em lugar de Drzyzga. A Polônia começou forçando o saque e tirou proveito de algumas falhas do líbero Mário Júnior no passe. A seleção alvirruba fez 5/3, mas Lucão, com um gancho bem no fundo da quadra, igualou o placar em 5/5. Equilibrada, a partida continuava com igualdades no marcador. O ponta Mika era a principal arma da Polônia, embora esta, mais ansiosa, estivesse errando e dando pontos ao Brasil. A Polônia chegou à segunda parada técnica com 16/15 a favor. O jogo seguia equilibrado, mas a equipe polonesa abriu em duas ocasiões dois pontos de frente: 18/16 e 19/17, antes de Lucão, no bloqueio, empatar em 19/19. A equipe polonesa pediu tempo. O ritmo do jogo indicava um fim de parcial dramático. Os poloneses reabriram dois pontos de frente em 23/21, mas Lucarelli diminuiu, acertando o 22º ponto. No lance seguinte, um ataque de Wlazly para fora igualou o placar (23/23), em jogada esclarecida apenas pelo video. Um ataque de Lucarelli para fora decretou a vitória polonesa por 25/23.

No quarto set, a seleção brasileira entrou sob pressão máxima, não apenas por estar perdendo por 2 sets a 1, como também pela força da grande torcida polonesa no Spodek Arena. O período começou equilibrado em 3/3, com Lucarelli fazendo os três pontos brasileiros. De maneira semelhante à parcial anterior, as seleções iam se revezando ponto a ponto, até a seleção brasileira passar à frente em 7/6, num erro de ataque polonês. Entretanto, foi a equipe da casa que chegou à frente na primeira parada técnica, em 8/7. O saque brasileiro não encaixava, e a Polônia abriu 11/9, antes de Bernardinho pedir tempo. Num saque de Wallace, porém, houve um erro na armação polonesa, e o Brasil igualou em 12/12. Mas o time anfitrião, tendo o grito da torcida como combustível e Mika brilhante em quadra, chegou à segunda parada técnica com 16/15. Com Lucão, no bloqueio, a seleção brasileira passou para a liderança em 19/17. O Brasil abriu três pontos num ataque de Lucarelli (20/17), mas a Polônia reagiu, empatando em 21/21, com Winiarski. Uma invasão de Lucarelli, um bloqueio de Wlazly e um erro de Éder deram à Polônia o match point em 24/21. O ataque de Wlazly pela saída de rede decretou a vitória do país anfitrião não apenas no set (25/22), como no jogo (3/1) e no Campeonato, chegando ao bi, depois do troféu erguido em 1974.

Após a partida, o ponta Lucarelli se lamentou pelo resultado.

— Estávamos muito confiantes, e infelizmednte, esta prata terá o gosto amargo. Não há como não ficarmos tristes — afirmou ele. — Mas ano que vem tem Liga Mundial e vamos nos preparar para 2016, porque temos de estar melhores do que isso.

Brasil: Bruno, Wallace, Sidão, Lucão, Murilo, Lucarelli, além de Filipe e Mário Júnior (líberos). Entraram: Lipe, Vissotto, Rapha.

Polônia: Drzyzga, Wlazly, Klos, Nowakowski, Mika, Winiarski e Zatorski (líbero). Entraram: Zagumny, Konarski, Kubiaki

Mais cedo, na disputa do terceiro lugar, a Alemanha superou a França por 3 sets a 0, com parcias de 25/21, 26/24 e 25/23. Pelo desempenho que apresentou durante todo o torneio, os franceses eram os favoritos para ocupar o último degrau no pódio. Mas Ngapeth e companhia entraram abatidos e desgastados na quadra do Spodek Arena. O jogo até que foi equilibrado, mas os alemães se mostraram muito mais atentos na reta final de cada set. Grozer, o camisa 9 da Alemanha, foi o jogador que mais pontuou com 19 acertos.

* O repórter viaja a convite da Federação Internacional de Vôlei.

 

O Globo
POR: VICTOR COSTA

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