Lideranças do movimento negro reagiram com insatisfação à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
A indicação foi anunciada justamente no Dia da Consciência Negra, o que, para muitos, torna a escolha simbólica e politicamente problemática.
A crítica principal é que, apesar das expectativas crescentes para que uma mulher negra fosse nomeada para a Corte — algo inédito na história do STF — Lula optou por um homem “pardo”, segundo representantes do movimento.
A Educafro, uma das entidades mais contundentes, disse ter enviado uma carta ao Planalto ainda em outubro, pedindo diálogo. Agora, eles exigem uma resposta formal e sugerem um jantar entre Lula e lideranças negras, antes da sabatina de Messias no Senado.
Para os movimentos, essa indicação acende um alerta sobre o descompasso entre o discurso oficial de combate à desigualdade racial e a prática nas escolhas institucionais mais relevantes, especialmente em cortes de poder como o STF.
Historicamente, poucas pessoas negras ocupam cargos no STF: desde a redemocratização, apenas Joaquim Barbosa era negro autodeclarado; com Messias, considerado pardo, o número subiria, mas ainda estaria longe de representar a diversidade da população.
Agora, o nome de Messias segue para sabatina no Senado, onde será avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir ao plenário.
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