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Jornalista da Band, Adriana Araújo comenta desfecho do caso Henry Borel e afirma: “Omissão mata”

A apresentadora Adriana Araújo utilizou o espaço de comentário no Jornal da Band, exibido nesta quinta-feira (4), para analisar o desfecho judicial do caso Henry Borel. Ao abordar a decisão que resultou na soltura de Monique Medeiros, mãe do menino, a jornalista ampliou a discussão para a responsabilidade de pais e responsáveis na proteção de crianças vítimas de violência.

Monique havia sido condenada por omissão na morte do filho e cumpria pena de 1 ano e 4 meses de detenção. No julgamento, os jurados concluíram que não houve intenção de matar, afastando a acusação de homicídio doloso. Com isso, a Justiça concedeu perdão judicial à mãe de Henry.

Durante sua análise, Adriana destacou que, em sua visão, o menino foi a principal vítima de toda a história.

“A única vítima dessa história se chama Henry Borel. Uma vida pela frente interrompida aos 4 anos de idade, porque é assim: a vida de uma criança só tem futuro se ela tem adultos que zelem por ela, que fiquem atentos às ameaças”.

A jornalista também relembrou os sinais de violência que cercavam a rotina da criança antes de sua morte e afirmou que os alertas não foram suficientes para evitar a tragédia.

“No caso de Henry, o agressor morava na casa dele. O menino pediu socorro, do jeito que uma criança de 4 anos sabe pedir socorro. Deu sinais das violências que sofria. A babá viu, a mãe viu, o pai percebeu que ele estava com medo. Ninguém agiu a tempo de salvar Henry”.

Ao comentar a fundamentação apresentada pela magistrada para conceder o perdão judicial, Adriana mencionou o argumento de que mulheres costumam enfrentar cobranças sociais mais severas relacionadas à maternidade. Ainda assim, questionou se esse fator foi determinante para que Monique respondesse ao processo.

“Ao perdoar Monique Medeiros, a juiza afirmou que a sociedade espera que as mulheres sejam mães perfeitas e que por isso elas enfrentam cobranças e condenações que os pais não sofrem. Como mãe, eu sei que isso é verdade, mas a pergunta é: foi isso mesmo que levou Monique para o banco dos réus?”.

Na sequência, a apresentadora recordou atitudes atribuídas à mãe de Henry após a morte do garoto e demonstrou estranheza em relação ao comportamento adotado durante as investigações.

“Depois do crime, Monique pressionou a babá a apagar mensagens que mostravam que ela sabia das agressões contra o filho. Jairinho era o principal suspeito do assassinato cruel e ela entrou de mãos dadas com ele pela porta da frente da delegacia.

Tirou selfie antes do depoimento. Aceitou ser defendida pelo advogado dele. Combinou uma versão da história com o assassino e só agora no Júri o acusou pelo crime”.

Perto do encerramento do comentário, Adriana voltou a questionar a postura de Monique e afirmou que o resultado do julgamento lhe causou sensação de injustiça.

“Monique agiu como uma mãe em luto, preocupada em esclarecer o crime ou estava preocupada em apenas salvar a própria pele? O Júri termina e deixa uma imensa sensação de injustiça com Henry”.

Ao concluir sua análise, a jornalista reforçou que a maternidade e a paternidade podem ser escolhas, mas que a responsabilidade com os filhos não pode ser negligenciada.

“Para terminar, eu preciso dizer: você pode escolher ser mãe ou não. Você pode escolher ser pai ou não. Mas quando um filho nasce, não pode escolher a omissão porque omissão mata”.

 

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