Em entrevista concedida ao programa Piatã Notícias, da rádio Piatã FM, nesta sexta-feira (9), o senador Jaques Wagner (PT) negou ter intermediado qualquer negociação para a compra de obras de arte de alto valor por meio de Guilherme Sodré, o “Guiga”, e rebateu relatos decorrentes de áudios e documentos do ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, divulgados pela revista VEJA.
Wagner afirmou que sua relação com Guiga é pessoal e profissional, sem qualquer vínculo com negócios. “Eu não intermediei, não comprei nenhuma obra de arte pela mão de Guiga. É meu amigo há séculos, desde o meu tempo de sindicalista, quando ele era médico do trabalho. Eu ia discutir com ele as questões do Polo Petroquímico na área de saúde, isso em 1984 e 1985; ele me ajudou na minha campanha de 1986. Amizade não passa por negócios, passa por amizade mesmo”, diz o parlamentar.
Ao ser questionado sobre as declarações de Vorcaro de que teria financiado uma produção cinematográfica sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para obter vantagens comerciais junto ao governo federal, Wagner rechaçou a cronologia dos fatos apresentados.
“O filme de Lula que eu conheço foi lá atrás, antes do surgimento do caso Master. O filme do Lula é de 2010; o Banco Master é de 2019. Esse é outro problema: saem vazando o que querem e não investigam a fundo. Deixa provar, né? Quem tomou dinheiro que se explique”, relembra.
DEFESA DE OTTO
O senador também saiu em defesa de seu colega de bancada no Senado, Otto Alencar (PSD), citado em reportagens sobre investimentos do Banco Master na empresa de sua filha. Wagner declarou que não leu a reportagem na íntegra, mas prestou apoio ao aliado político.
“A gente que é político é exposto, com a boca fala o que quiser. Agora é preciso provar. Eu considero que o Otto não tem nada a ver com essa história”, disse. Wagner lembrou ainda de episódios anteriores em que foi alvo de rumores: “Naquela época o pessoal disse que visitei a ilha de Augusto Lima. Eu nunca visitei ilha nenhuma”.
Segundo as informações apresentadas por Daniel Vorcaro em tratativas de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-banqueiro afirma ter realizado repasses para garantir o credenciamento do Banco Master e o acesso a aportes de fundos de pensão federais.
Vorcaro sustenta que as tratativas teriam sido articuladas com a participação do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e do ministro Alexandre Padilha, e alegou que a aproximação com os dirigentes petistas teria contado com a intermediação de Jaques Wagner, à época líder do governo no Senado , e de seu ex-sócio Augusto Lima.
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