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“Começou como hobby e virou uma paixão”: como Matchola reinventa o rap alternativo a partir de Salvador

Não é de agora que a Bahia é conhecida por ser um berço de grandes talentos musicais. Um dos nomes promissores da nova onda de artistas do estado se chama Matchola. O cantor performa, escreve e produz as próprias canções, apostando em um gênero musical único, mesclando todas as suas referências de uma vez só.

 

Definindo seu estilo como “música alternativa brasileira” ou “rap alternativo”, Matchola constrói sua sonoridade unindo rap, reggae, rock, pop e Miami Bass com a tradição da música popular brasileira. Nascido e criado em Salvador, a influência da capital baiana transparece na incorporação do axé, do pagodão e de elementos percussivos da cultura afro-brasileira às estruturas do hip hop. Suas referências sonoras transitam entre ícones internacionais como Childish Gambino, Kanye West, Brockhampton, Outkast e The Neptunes, além de referências do rap baiano como Baco Exu do Blues.

 

Antes de se consolidar na música, a trajetória artística de Matchola começou ainda na infância, por meio do desenho e da edição de vídeo. Após passar pelo mercado de trabalho formal, encontrou na produção musical sua verdadeira vocação. De forma completamente autodidata, aprendendo por tutoriais no YouTube por não ter recursos para pagar um produtor, passou a compor batidas, gravar, mixar e masterizar suas próprias faixas diretamente do seu quarto.

 

Essa autonomia deu origem a uma discografia marcante. O álbum OK Tchola destacou-se por uma estética experimental influenciada pelo rap industrial de JPEGMAFIA e Death Grips, além da inspiração conceitual do disco OK Computer, do Radiohead. Em seguida, o álbum Zero Bala trouxe uma proposta mais sóbria, coesa e pop, focada no pertencimento baiano e na autoaceitação. A caminhada do artista reúne colaborações orgânicas, além da realização de uma turnê pelo Sudeste. Um marco recente de sua carreira foi a gravação do Spotify Sessions, com direção musical de Russo Passapusso, vocalista do BaianaSystem, a quem Matchola considera um amigo e mentor. Atualmente contratado pela gravadora Warner, o artista vive a transição do circuito underground para uma estrutura de lançamento mais planejada, mantendo seu processo criativo característico de transformar vivências pessoais em letras melancólicas sobrepostas a batidas alegres.

 

Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, o artista falou sobre suas influências, o momento transitório em que vive na sua carreira, além dos próximos passos daqui para frente.

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