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Lula quebra silêncio sobre caso Master e cobra investigação sem “blindagem de ninguém”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu se manifestar publicamente, pela primeira vez, sobre a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de novas mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Em um vídeo de pouco mais de um minuto, gravado no Palácio do Planalto, Lula não menciona diretamente Moraes, mas afirma que existem suspeitas sobre a participação de políticos e agentes públicos no caso Master. O presidente também defendeu mudanças profundas no sistema político e no Judiciário, além de cobrar que todos os envolvidos sejam investigados, sem qualquer tipo de proteção.

Na gravação, Lula classificou o escândalo envolvendo o banco Master como “o maior roubo da história do Brasil”.

“Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com muita gente poderosa. Foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos.”

O presidente também fez um apelo para que o presidente do STF, Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, assumam uma atuação de liderança diante da repercussão do caso.

“Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente do Suprema Corte e a Procuradoria Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações.”

Lula reforçou ainda que as apurações devem alcançar todos os possíveis envolvidos, independentemente de posição ou influência.

“A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que nosso sistema político e Judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém. Doa a quem doer.”

Na sequência, o presidente afirmou que os interesses coletivos devem prevalecer sobre questões particulares e cobrou responsabilidade daqueles que ocupam cargos públicos.

“Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira. É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual.”

A equipe de campanha de Lula ainda avalia se o vídeo será utilizado no horário eleitoral de sábado. A manifestação ocorre em meio à preocupação de que a crise no STF provoque desgaste para o presidente durante a campanha à reeleição.

Inicialmente, a orientação da cúpula da campanha era para que Lula evitasse falar diretamente sobre o caso. A estratégia previa que o presidente só se posicionasse depois de ter uma compreensão mais ampla do conteúdo das mensagens atribuídas a Vorcaro. Desde quarta-feira, porém, a campanha já vinha trabalhando com o discurso de que “todos devem ser investigados”.

O planejamento mudou ao longo da quinta-feira. Aliados de Lula avaliam que a repercussão do caso pode atingir o presidente em razão da relação política mantida com Moraes desde o julgamento da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

Diante desse cenário, a avaliação dentro do núcleo político foi de que uma manifestação pública poderia ajudar a impedir que a crise envolvendo a Corte tivesse impacto direto na campanha presidencial.

Um relatório da Polícia Federal apontou que Daniel Vorcaro teria procurado Alexandre de Moraes em meio à crise enfrentada pela instituição financeira. Segundo as mensagens extraídas do celular do banqueiro, durante 13 dias ele teria buscado a intervenção do ministro para tentar impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações.

Nas conversas, Vorcaro também teria feito apelos para “sensibilizar” autoridades e questionado como deveria agir para “desarmar” e “reverter” a situação.

 

Varela Net

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