As vitimas registraram o caso em delegacia, ainda em agosto, e os empresários foram ouvidos mais de uma vez pela polícia. Confessaram ter agredido os jovens, mas negaram qualquer tipo de tortura contra os jovens.
O delegado relatou que não haviam elementos para pedir a prisão dos patrões das vítimas nas investigações. Os jovens relataram que foram torturados no interior da própria loja onde trabalhavam, em uma armadilha que foi arquitetada pelos chefes. Eles foram agredidos em dias diferentes.
“Começaram a falar que eu estava roubando, aí começaram as agressões, tanto física quanto verbal, fizeram aquela tortura. Só eu sei o que eu passei”, contou William.
“Brincaram comigo como se eu fosse um objeto. Acho que foi uma hora ou 40 minutos [de agressões], não sei, era muito doloroso para mim contar o tempo. Passei por muita dor e muito sofrimento. Eu pedi a todo instante para ele parar, pedia a todo momento pela minha vida e ele só me agredia”.
Os jovens relataram que além de agredidos, foram humilhados verbalmente. E apesar de serem negros, os patrões usavam insultos racistas para ofender William, de acordo com o seu relato.
“Tentei sair, tentei me explicar a todo momento. Tentei conversar, mas ele estava com frieza. Ele sorria para mim e me agredia demais com palmatória, murros. A todo momento era só agressão. Eu chorava muito e pedia para ele não faz isso. Ele sorriu e disse que eu ia passar as coisas que os negros passaram [na escravidão]. Foi muito humilhante. Ainda me colocaram uma saia”
“Eu consegui fugir. Acho que se eu ficasse mais tempo eu não ia resistir, de tanta paulada. Ele me deu muita paulada, foi muita agressividade. Achei que não ia conseguir resistir. Eu não desejo a ninguém passar por isso”
Para abafar os gritos de dor do jovem, os patrões colocaram um pano na boca do jovem coo mordaça.
“Não vi arrependimento no olhar dele, eu vi o querer fazer toda essa situação que ele fez comigo. Ele queimava com calma para eu sentir a dor. Eu gritava muito, apesar de eu estar com o pano a boca, para não fazer zoada, para não chamar atenção. Ele me queimava devagar, com aquela crueldade, ainda falando que não queria estar na minha pele”.
(Varela Net).




