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Presidente do COI defende russos nas Olimpíadas apesar da guerra na Ucrânia

Thomas Bach, presidente do Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI), voltou a defender a presença de russos e belarrussos como atletas neutros nos Jogos Olímpicos de 2024 apesar da guerra na Ucrânia. A questão foi discutida na reunião do COI, em Lausanne, na Suíça.

“A participação de atletas com passaportes russos e bielorrussos em competições internacionais funciona. Vemos isso quase todos os dias em vários esportes, principalmente no tênis, mas também no ciclismo, em algumas competições de tênis de mesa. Vemos hóquei no gelo, handebol, vemos isso no futebol e em outras ligas nos Estados Unidos, mas também na Europa e também em outros continentes. Em nenhuma dessas competições, incidentes de segurança aconteceram”, disse Bach.

Desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro do ano passado, Rússia e seu aliado Belarus encaram sanções esportivas. Em alguns esportes, russos e belarrussos seguem competindo como atletas neutros, o que por vezes provoca reações negativas dos adversários. Na semana passada, alguns países boicotaram o Mundial feminino de boxe, que liberou a presença da Rússia e de Belarus.

Nesta terça-feira (28), mais de 300 esgrimistas enviaram uma carta a Thomas Bach e ao presidente da Federação Internacional de Esgrima (FIE), Emmanuel Katisiadakis, cobrando o banimento de russos e belarrussos. A FIE votou neste mês pelo retorno da Rússia e de Belarus às competições de esgrima, o que os outros atletas reprovaram.

“Com total desconsideração pelas vozes dos atletas, permitiram que a Rússia e Belarus voltassem aos torneios da FIE. Pedimos a você (Bach), em sua capacidade de liderança no COI, que mantenha as suspensões recomendadas pelas Federações de Esgrima da Rússia e da Belarus e pelos Comitês Olímpicos Nacionais e garanta que a FIE siga suas diretrizes”, pediram os esgrimistas.

Entretanto, uma especialista das Nações Unidas (ONU) que assessora o COI diz que os soldados russos deveriam ter permissão para competir nas Olimpíadas. Alexandra Xanthaki, relatora especial da ONU para direitos culturais, considerou discriminatório banir esses atletas militares.

“Não acho que faça sentido excluir todos os soldados e militares russos. É discriminatório porque havia muitos outros atletas de outros países em operações militares ativas e nunca foram excluídos. No entanto, todo atleta deve ser excluído se for considerado culpado de atrocidade, de graves violações dos direitos humanos em tempos de guerra, incluindo crimes contra a humanidade e genocídio. Também podem ser excluídos se forem considerados culpados de propaganda de guerra”, explicou.

O COI ainda não bateu o martelo de como vai resolver a questão da presença da Rússia e de Belarus nos torneios pré-olímpicos deste ano. Uma possibilidade seriam os atletas participarem sobre uma bandeira neutra. Uma mudança da Rússia para as competições de classificação asiáticas já foi ventilada como opção, já que os países europeus, onde o país disputa hoje os torneios, são muito mais contrários à participação russa em Paris. A Rússia tem mais de 90% de seu território na Ásia, mas tradicionalmente sempre fez parte das disputas europeias.

 

 

(Varela Net).

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