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Vítima de espancamento relata crime após alta médica: “Me bateu até eu apagar”

A designer de interiores Bruna Alexandra Colzani, de 35 anos, que sofreu traumatismo craniano após ser agredida pelo então namorado em um bar no bairro do Dois de Julho, em Salvador, recebeu alta do Hospital Geral do Estado (HGE) na última quinta-feira (5).

Em entrevista à TV Bahia, a vítima deu detalhes do crime, que ocorreu no dia 29 de dezembro. De acordo com Bruna, o casal havia encontrado um amigo do suspeito antes dele começar a ameaçá-la e cometer as agressões. O agressor foi identificado como Henrique Vilela Gonçalves.

“Hoje minha cabeça ainda dói muito, minha costela também está bastante dolorida, meu corpo no geral. [No dia do crime] A gente chegou no bar para encontrar o amigo dele, que tinha chegado de viagem. Estávamos conversando normal, e ele começou a ficar com ciúmes do nada. Ciúmes no geral, porque estávamos em uma conversa em galera, não foi uma conversa só entre eu e o amigo dele para causar isso”.

Bruna contou que ele começou a olhar para ela de um jeito ameaçador. “Eu notei que ele estava com ciúme, pedi para ir no banheiro, aí eu fui no banheiro e pedi para a dona do bar, para que ela me escondesse”, disse.

Escondida, a vítima informou ligou para o pai do agressor, que é ex-policial, mas ele negou ajuda. Em seguida, o suspeito invadiu o local e começou a agredi-la. “Ela me escondeu no quarto, que fica em cima do bar. Eu liguei para o pai dele, para vim tentar resolver, acertar as coisas, porque eu sabia que ele [Henrique] ia acabar me agredindo. O pai dele disse que não iria se meter. Aí ele invadiu o quarto da menina, me encontrou lá, e começou as agressões, começou a me dar chutes e socos”, relatou.

“Ele começou as agressões e eu só fiquei perguntando o porquê que ele estava me batendo. Ele não respondia, só foi me batendo até eu apagar [desmaiar]”.


Reprodução/TV Bahia

Conforme o relato de Bruna, depois de apagar, ela não conseguiu mais lembrar de nada o que aconteceu na sequência. “Só lembro que eu acordei no chão, debaixo do chuveiro, com o pai dele e um amigo do amigo do pai, jogando água e dando tapinhas na minha cara, para eu acordar. Eu acordei e ele [pai do agressor] falou assim: ‘vou te levar para sua casa, ele vai pegar as coisas dele e vai sair de lá, e eu te deixo em casa’”, continuou.

“Eu acabei desnorteada e, com medo, acabei indo com o pai e com o agressor. Quando chegou lá, o agressor disse que não iria sair, que eu teria que sair da minha casa. Eu disse que jamais sairia da minha casa, então acabei chamando a polícia”.

Polícia 

Agentes da Polícia Militar foram à residência de Bruna, algemaram o suspeito e o encaminharam para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), localizada no bairro de Brotas. O pai de Henrique e Bruna também foram até a unidade.

“Chegando lá, ele deu depoimento primeiro e eu fiquei na sala de espera. Eu estava vomitando muito, devido a um chute na costela, e depois eu fui dar o meu depoimento, só que a delegada não estava lá, estava fazendo via web. Depois que eu terminei meu depoimento, a delegada chamou o pai dele para falar alguma coisa, e mandou o pai dele me levar para o HGE [Hospital Geral do Estado]”, disse.

“Eu fiquei com muito medo, por que o pai do agressor vai proteger quem? O filho dele, não a mim”.

A designer foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HGE com traumatismo craniano. Após ser hospitalizada, o pai de Henrique ainda negou o direito dela entrar contato com a mãe.

“Eu só pedia para ele [pai] ligar para minha mãe, e ele fingindo que estava ligando e dizendo que ela não atendia. Em nenhum momento ele ligou, porque minha mãe me descobriu três dias depois. Eu fui internada e fui direto para a UTI. Toda vez que eu acordava, nos horários de visita, eu via o pai dele. Nunca era minha mãe. Eu sempre perguntava: ‘cadê a minha mãe?’, e ele dizia que não estava conseguindo falar”.

Alta médica 

Após sete dias internada, Bruna teve alta médica na última quinta-feira (5). O Ministério Público da Bahia (MP-BA) acompanha o caso, que está sob investigação da Deam. Não há informações se o pai do agressor também será investigado.

A polícia pediu a prisão de Henrique, que foi liberado na audiência de custódia, e uma medida protetiva de urgência foi solicitada para a vítima.

Em caso de violência, denuncie

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.

Na maioria das vezes, casos de violência doméstica são cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e por meio da página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses.

 

(Varela Net).

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