O ministro Luis Felipe Salomão assume a presidência do STJ (Superior Tribunal de Justiça) em meio a uma crise de confiança pública no Judiciário, agravada por suspeitas de venda de decisões dentro da corte e de uma denúncia de assédio sexual contra o magistrado Marco Buzzi, afastado do cargo pelos próprios colegas.
Em entrevista à Folha, ele defendeu uma reforma do sistema de Justiça, mas disse que a solução para os gargalos passa ao largo da criação de normas sobre a participação de juízes e ministros em eventos e palestras. “Essa está longe de ser a questão que vai fazer com que haja mais produtividade e eficiência dentro do Judiciário.”
Segundo ele, a Loman (Lei Orgânica da Magistratura) já prevê regras sobre a postura a ser adotada por juízes, tanto na vida pública quanto na privada, para coibir e punir situações de conflito de interesse. “Precisamos atualizá-las? Talvez. Mas isso vai fazer com que a Justiça funcione melhor, com menos burocracia e sem custo excessivo? Não”, opinou.
Como mostrou a Folha, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ministro Edson Fachin, apresentou uma proposta de resolução com regras para a participação de juízes em eventos, para o recebimento de presentes e para o exercício de atividades privadas. Ele também defende um código de ética para ministros.
Salomão afirma que a magistratura costuma frequentar eventos para “trocar experiências” e superar “o encastelamento da profissão”, mas que isso não significaria um comprometimento da imparcialidade em processos. “Qual é o juiz que vai se vender por uma passagem? Ele ouve ponderações de todos os lados e decide. Não vai ser influenciado.”
Na mesma linha, o ministro diz que discussões sobre impeachment de ministros são mera “retórica” e não resolvem questões relevantes, como a morosidade da Justiça. “Temos que evitar esses extremismos que não adiantam nada, que não mudam o fato de uma família ter de esperar às vezes oito ou nove anos para solucionar uma demanda simples.”
Com mais uma campanha eleitoral polarizada nas ruas, o presidente do STJ lamentou o Judiciário ter virado mote de candidatos. O ministro atribuiu isso a uma hiperexposição principalmente do STF –que, segundo ele, teve um “boom” de visibilidade com a intensa judicialização de temas políticos, econômicos e sociais.
“[Os candidatos] jogam o Judiciário como uma projeção da frustração que se tem com o Estado, e isso é misturar alhos com bugalhos”, definiu. “Usar o Judiciário como plataforma eleitoral é ruim, porque você deforma a realidade para atender a um discurso de campanha.”
Para o ministro, o STJ agiu com rapidez para apurar as denúncias de assédio sexual contra Buzzi. “Nós fizemos a nossa parte. Atuamos com o cuidado que o caso requeria, com garantia do direito de defesa. Quanto mais tempo isso ficasse em aberto, pior seria para o tribunal, para as denunciantes, para o próprio ministro e para a sua família”.
Salomão descartou qualquer relação entre a celeridade imprimida ao caso e o fato de a mãe da primeira vítima ser uma advogada atuante em Brasília. “Tomou-se a decisão sem olhar para quem estava denunciando. Não acho que possa ter havido qualquer tipo de influência. Nós entendemos que ficou provado o fato, e a decisão foi unânime”, lembrou.
Da mesma forma, em relação às investigações sobre suspeitas de vendas de decisões no STJ (com inquéritos ainda abertos sobre o ministro Moura Ribeiro e também sobre Buzzi), o presidente disse não ver desgastes para a imagem da corte.
“O tribunal não empurrou para debaixo do tapete. Servidores foram colocados para fora, terceirizados foram demitidos, um foi preso em flagrante, mas até agora nada aponta para o envolvimento de ministros”, afirmou.
De acordo com o novo presidente do STJ, os inquéritos trouxeram um ponto positivo: chamar a atenção para possíveis vulnerabilidades dos sistemas internos. Salomão afirmou que, diante disso, o tribunal aprimorou os mecanismos de auditoria e de rastreabilidade dos servidores que têm acesso às minutas de votos e decisões.
Diante do universo de mais de 18 mil juízes no Brasil, o ministro disse ser “ínfima” a parcela dos que cometem irregularidades. “Não é uma coisa generalizada, é pontual. Quando acontece, as penalidades são duríssimas. A grande maioria trabalha muito, sábado, domingo, para dar conta dos seus processos, e não estou falando por corporativismo.”
Para Salomão, há deformações na discussão sobre os penduricalhos na remuneração dos magistrados, que levam aos chamados supersalários. “É inegável que havia um abuso muito grande, e o Supremo foi cirúrgico. O juiz não pode ter um salário exorbitante. Porém, tentar comparar o salário de um juiz ou de um promotor com o salário mínimo também não é um debate correto.”
O presidente do STJ também vê a necessidade de interlocução mais próxima com o Supremo, uma vez que existem “pontos de conflito” entre as duas cortes em questões criminais, como os limites para buscas em ambiente domiciliar e questões relacionadas ao cumprimento das penas.
A reforma do Judiciário defendida por Salomão vai exigir, de acordo com ele, um debate conjunto com o Palácio do Planalto e com a nova composição do Congresso Nacional após a posse dos eleitos. Para o ministro, o foco é a eficiência: “Uma briga sobre a posse de um imóvel, sobre uma herança, consegue-se resolver em tempo razoável?”, exemplificou.
Sancionada pelo presidente Lula (PT) e com previsão de entrar em vigor em 3 de setembro, a implementação de um “filtro de relevância” no STJ é a aposta de Salomão para “conter a avalanche de processos” e diminuir o acervo –no último ano, chegaram ao tribunal 700 mil casos, e a média foi de uma decisão a cada sete minutos.
O filtro prevê que recursos especiais só sejam julgados pelo STJ se o interesse pela matéria for além das partes do processo e tiver impacto para um número amplo de cidadãos. Caso contrário, a última palavra será dada pelos tribunais de segunda instância –consequentemente, o encerramento definitivo de uma ação judicial será antecipado.
Questionado sobre a falta de diversidade no tribunal, Salomão disse que pretende fazer um apelo aos colegas para que critérios de gênero e raça sejam levados em consideração quando o tribunal for elaborar as listas a serem encaminhadas ao presidente da República para preenchimento de vagas em aberto.
Dos 31 ministros em atuação no STJ, apenas seis são mulheres. O percentual de magistrados negros no tribunal é de apenas 3%, segundo dados do CNJ. “A nossa parte vamos procurar cumprir, mas isso também depende do Executivo [que indica] e do Parlamento [que, após sabatina, aprova ou rejeita o indicado]”.
Salomão também pretende contratar especialistas para compor uma espécie de diretoria de compliance que, junto a uma comissão de ministros, ficaria responsável por analisar e fiscalizar a transparência dos sistemas internos de IA (inteligência artificial). Segundo ele, a supervisão humana é indispensável. “História de ‘ministro-robô’ não vai existir aqui.”
Bahia Notícias

![Photo of Aiquara investiu R$ 338 por habitante para festejos juninos em 2025; cidade tem uma das menores populações da Bahia sábado, 12/07/2025 – 00h00 Por Bianca Andrade Aiquara investiu R$ 338 por habitante para festejos juninos em 2025; cidade tem uma das menores populações da Bahia Foto: Governo da Bahia Fim do São João! E para alguns, este é o momento de recuperação, seja da virose, costumeira de toda grande festa, ou de recuperação para o próximo grande festejo no Nordeste. Mas, para outros, o fim da festa é momento para prestação de contas, especialmente envolvendo o dinheiro público. De acordo com o Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios do Estado da Bahia, que encerrou ao final de junho o levantamento envolvendo os 417 municípios baianos e os gastos para os festejos juninos, ao todo, a Bahia gastou R$ 532 milhões em contratações artísticas em 2025. Os dados são disponibilizados em uma plataforma digital pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e são alimentados pelos próprios entes públicos. Foto: Prefeitura de Jacobina O Bahia Notícias levou a apuração para outro lado e trouxe dados sobre os festejos juninos na Bahia em 2025 envolvendo as cidades com as menores populações do estado. De acordo com o levantamento feito pelo BN, tendo como base a plataforma do MP, as cinco cidades com maiores gastos por habitantes foram Aiquara, São José da Vitória, Gavião, Cardeal da Silva e Itatim. O número de habitantes é resultado da projeção para 2024 do IBGE com base no último censo realizado. Da lista, apenas Itatim aparece com a população acima de 10 mil habitantes, enquanto a cidade com a menor população entre as cinco é Gavião, que tem 4.493 habitantes. O maior gasto por habitantes em uma cidade baiana foi em Aiquara, que tem renda per capita de R$ 12.244,83 (dado de 2021). Governado por Valeria Ribeiro Santos (PP), o município investiu, de acordo com o MP, R$ 338,09 por habitante para promover quatro dias de festa para a cidade. A população estimada do município, de acordo com o IBGE, é de 4.586, com um investimento de R$ 1.550.500,00. Foto: Divulgação/ Prefeitura de Aiquara Desse valor, R$ 1,190 milhão veio de verba municipal, enquanto R$ 360.500,00 foi da verba estadual. As atrações mais caras que se apresentaram na cidade foram Klessinha e Lambasaia, por R$ 300 mil cada. Em uma comparação com 2024, o valor investido em 2024 cresceu R$ 800.500,00. No entanto, no ano passado, a plataforma do MP não disponibilizou a natureza da origem do recurso. De acordo com o IBGE, o município teve em 2024, R$ 43.664.143,98 de despesas brutas empenhadas. O ano equivale ao último levantamento feito pelo Instituto. Desta forma, em 2024, ano em que o investimento foi R$ 750.000,00, o valor gasto nos festejos juninos equivale a 1,72% das despesas brutas empenhadas no ano. Outros quatro municípios aparecem na conta de cidades que investiram alto para uma festa em comparação ao número de habitantes, como Gavião (PIB per capita de R$ 11.301,64), São José da Vitória (PIB per capita de R$ 12.061,38), Cardeal da Silva (PIB per capita R$ 12.530,82) e Itatim (PIB per capita de R$ 29.483,13). Entre as cidades com a atração mais cara está Itatim, que pagou R$ 600 mil pelo show de Léo Santana, que aconteceu na noite de São João, no dia 24 de junho. Em segundo lugar, ficou o cachê pago pelo município de Cardeal da Silva ao cantor Henry Freitas, R$ 560 mil. Das cidades listadas, a verba municipal foi a maioria no investimento para o São João. Apenas dois municípios receberam aporte do Estado para a promoção da festa, Aiquara com R$ 360 mil e Cardeal da Silva com R$ 500 mil, que pagou o show do cantor Pablo. Foto: Prefeitura de Itatim Em uma comparação com os dados de 2024 fornecidos pelo MP, as cinco cidades listadas neste ano tiveram um aumento considerável no investimento para os festejos juninos em 2025, sendo a maior delas em Itatim, com um aumento de R$ 2.180.000,00. Quanto aos dias de festa, Itatim saltou de 3 dias para 7 dias de festejos juninos, enquanto São José da Vitória teve uma redução de 1 dia de festa, celebrando o São João em 3 dias. Aiquara – AUMENTO DE: R$ 800.500,00 São José da Vitória – AUMENTO DE: R$ 972.000,00 Gavião – AUMENTO DE: R$ 609.000,00 Cardeal da Silva – AUMENTO DE: R$ 1.025.000,00 Itatim – AUMENTO DE: R$ 2.180.000,00 Em relação a conta feita sobre Aiquara, tendo o valor total de investimento feito em 2024 no SJ e as despesas brutas empenhadas no ano pelo município, a conta fica a seguinte: São José da Vitória: valor equivale a 2,62% das despesas brutas empenhadas Gavião: valor equivale a 1,90% das despesas brutas empenhadas Cardeal da Silva: valor equivale a 1,61% das despesas brutas empenhadas Itatim: valor equivale a 2,11% das despesas brutas empenhadas Confira a tabela comparando os investimentos das cidades baianas em 2025 e 2024: Fechamento de acesso próximo a Parque Nacional da Chapada Diamantina gera debate e investigação; entenda o caso sábado, 12/07/2025 – 00h00 Por Ronne Oliveira Fechamento de acesso próximo a Parque Nacional da Chapada Diamantina gera debate e investigação; entenda o caso Foto: Montagem / Bahia Notícias Uma denúncia aponta supostas ações irregulares na região do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PARNA), em um trecho próximo a uma estrada no município de Mucugê, que foi fechada com arame farpado e um portão durante o período junino. A cerca, que se estende ao longo da divisa com uma unidade do parque, gerou preocupações. A direção do parque confirmou que está investigando a situação com rigor. A entrada mencionada é um ponto conhecido da região. O espaço abrigava a casa de uma mulher dedicada à fé budista. Após sua morte, o território foi herdado por Paola Tôrres, médica e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), que foi aluna da antiga moradora. Cercas na região. | Foto: Reprodução / INCRA O portal Jornal da Chapada foi o primeiro a informar sobre a instalação de uma grande cerca de arame na entrada, o que gerou estranheza entre os moradores da região, especialmente pelo fato de o local ser muito próximo a uma unidade de conservação natural. Observe o vídeo obtido no local: Vale esclarecer que tanto moradores quanto nativos da região têm direito de uso do espaço. O usufruto de unidades federais, como imóveis da União, é um direito real, que permite a alguém (usufrutuário) utilizar e aproveitar um bem pertencente a outra pessoa (nu-proprietário), contudo sem modificar o espaço. Esse direito é regulamentado pelos artigos 1.390 a 1.411 do Código Civil brasileiro e pode ser estabelecido por contrato, testamento ou usucapião. A área em questão é uma região com alta especulação imobiliária, muito procurada por ser bem localizada e turística, entre os municípios de Palmeiras, Mucugê e Piatã. O Bahia Notícias conversou com vários moradores e proprietários locais. Veja o local no mapa: Em versões divergentes, alguns moradores alegaram que a propriedade pertencia ao parque, mas ressaltaram que a antiga dona nunca interferiu na floresta e jamais teria fechado a região. Já moradores mais próximos da entrada, que preferiram não se identificar, afirmaram que, de fato, a área é uma propriedade privada. O Bahia Notícias também entrou em contato com o denunciante, um morador que transita na região a mais de 30 anos. Ele solicitou sigilo, alegando que a proprietária teria influência na região. “Essa casa é a única entrada, como uma fenda na região. A situação lá [na região] está impressionante. Tudo bem que a pessoa herdou, ela tem direito ou não à herança, tudo bem. A justiça e o ICMBio que resolvam. Agora, bloquear o acesso já está entrando mesmo no domínio, privatizar tudo, um patrimônio só para uso [pessoal] da região é outra coisa”, explica o denunciante. O incidente ocorreu em uma área localizada na comunidade de Estiva Nova, na Estrada do Guiné, no município de Mucugê. O local, conhecido como “Sítio da Monja”, também é chamado de “Fazenda Monte Azul” e fica próximo ao povoado de Capãozinho. Moradores comentam ao Bahia Notícias que o local é isolado. “Essa trilha é fechada há anos. Ela é fechada por mata fechada do Parque, eu não entendo a razão da discordância. A cerca com a placa é [estranho] mesmo, mas a entrada é bloqueada pela própria mata do parque”, conta um agricultor local de Capãozinho. A estrada que leva à região não é pavimentada e sua largura é semelhante a uma trilha, seguindo até o Rio Preto, na parte interna do parque, uma área de grande atratividade turística. Algo que chamou a atenção foi a instalação de uma placa proibindo o acesso. “É difícil alguém falar. O morador que gravou o vídeo mesmo, passou o vídeo para mim com medo. A cerca que ela colocou é na terra da monja, ela botou a cerca para separar. A reserva legal é para separar, subindo o morro no parque nacional ela subiu 500 metros paralelo ao morro, ela só não conseguiu cercar porque a terra não permite. Não há dúvida que o parque foi cercado. Feito de eucalipto e arame farpado subindo o morro, entende?”, questiona o denunciante. A denúncia estranha que uma cerca extensa foi erguida ao longo da serra, avançando até o topo do terreno, configurando, segundo os denunciantes, uma “tentativa de apropriação indevida de terras públicas pertencentes ao Parque Nacional”. Moradores locais das comunidades de Capãozinho e Estiva Nova, além de guias turísticos e visitantes, estranharam o fechamento da via e as restrições de acesso ao parque. “Assim é um espaço quase que turístico, era um local de acesso para levar para conhecer, né? Me causou assim por dizer estranheza aquela placa lá”, conta um guia que mora em Mucugê e solicitou sigilo. A região contava com trilhas que levam ao Rio Preto, ao Vale do Pati, a grutas e até à área próxima ao clube AABB, em Mucugê. A área é considerada de alta biodiversidade. O Bahia Notícias procurou o ICMBio para comentar o caso, mas ainda não obteve resposta sobre o andamento das investigações. A VERSÃO DA PROPRIETÁRIA A professora e médica Paola Tôrres, em entrevista ao Bahia Notícias, explicou a situação. Ela confirmou que a propriedade foi herdada, junto a outros bens, e garantiu que a terra é certificada pelo Incra. “A Fazenda Monte Azul é uma propriedade da minha antiga mestre Susan Dawn Lee, foi minha professora e eu fui médica dela durante 20 anos. Com o falecimento dela, ela deixou em testamento a Fazenda Monte Azul para mim. Inclusive no testamento dela, ela deixou várias propriedades que foram heranças dela”, relata a médica. Em entrevista, ela esclarece e responde às acusações, mostrando prontidão para qualquer dúvida e acesso aos nativos e residentes da região. E negou qualquer relação incomum com proprietários locais, apenas com a comunidade e seus vizinhos mais próximos. “Olha, eu já estive diversas vezes no local. Assim como a monja, eu tenho muito interesse na Fazenda Monte Azul na questão ambiental de preservação. É uma região que tem muita diversidade, toda nativa. Foi uma atitude minha cercar toda a região. Não tenho associação nenhuma com ‘proprietários locais’, mas conheço os [vizinhos]. Isso é falso!”, enfatiza a doutora. Além disso, a proprietária da região explicou que o acesso é garantido, desde que com o devido cuidado. Ela ressaltou que o parque cerca a propriedade e, pelo contrário, ela não ocupa espaço do parque. Ela literalmente perdeu parte do território quando as fronteiras do parque foram refeitas no ano passado. “Inclusive a terra é certificada pelo Incra e ICMBio. Foi assim, quando ela comprou a terra, ela adquiriu 197 hectares, isso em 2008. Quando o Parque delimitou em uma atualização, bem recentemente, em 2024, o espaço foi reatualizado. Quando tomei ciência, minha primeira atitude foi [demarcar], respeitando o parque, no limite, protegendo a terra. O limite respeita a terra que ela comprou. A terra cercada é justamente a que está fora do Parque Nacional”, esclarece a professora. Ainda em entrevista, a doutora nega as acusações de ter relações com interesse imobiliário na região e garante que não é somente uma imagem de uma “estrangeira” e cultiva com boas relações justamente com a comunidade mais próxima. “Como sou médica e tenho interesse em questões sociais, já atendi várias pessoas da comunidade do Capãozinho. Tem pessoas que trabalham na terra para mim. E essa denúncia não é da comunidade! Essa trilha não é usada pela comunidade, é uma estrada de acesso exclusivo para a casa da monja. A estrada não dá em lugar nenhum. No Plano de Manejo do Parque é possível que essa estrada não tem acesso ao parque, ou seja, essa área é toda cercada pelo parque. Meu limite é justamente o parque”, explica. E AGORA? O Bahia Notícias contatou o engenheiro de Mucugê, Hans Heinrich, responsável pelo mapeamento da ‘Fazenda Monte Azul’ ou ‘Sítio da Monja’. Ele reafirmou que o espaço respeita completamente os limites territoriais do Parque Nacional da Chapada Diamantina e forneceu os dados das medidas que batem justamente com o limite territorial. Veja: Imagem do registro que marca o limite do PARNA a Fazenda. | Foto: Reprodução / INCRA “Nós medimos uma área de 125 hectares, que está fora do Parque Nacional, e que pertencia a uma monja de nome Susan Dawn Lee (antiga proprietária específica). Respeitamos as medidas definidas pelo ICMBio”, explica em entrevista. A professora esclareceu também que agradece a oportunidade para explicar e garantir que está aberta para contato com moradores e guias locais. “Tenho livros publicados falando de preservação e natureza, meu interesse é no futuro oferecer ervas e diversidade da Chapada para cura de pessoas. Uma propriedade privada e regularizada, o proprietário faz o que quiser. Não tenho que dar satisfação de dizer o que vou fazer com ela. Mas garanto, o máximo que vai acontecer ali é um local de usar a área como área de preservação ambiental e ecológico, já dou spoiler”, avisa a proprietária. Por parte do ICMBio e da direção do Parque, contatados pelo Bahia Notícias, confirmaram que farão uma investigação no espaço e a cerca. Até o momento, nenhuma decisão foi confirmada. O Bahia Notícias contatou o Incra para confirmação do registro da terra e, em nota, confirmaram o registro da propriedade em nome de Paola Tôrres. O Incra esclarece também que os imóveis rurais cadastrados no órgão são declarados pelos próprios proprietários para obter o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR). Esse documento é necessário para a venda da propriedade, além de possibilitar financiamentos, entre outras ações. Motorista morre em acidente de caminhão em trecho da BA-131 no norte baiano sexta-feira, 11/07/2025 – 21h20 Por Redação Motorista morre em acidente de caminhão em trecho da BA-131 no norte baiano Foto: Reprodução / Calila Notícias Um grave acidente foi registrado no início da tarde desta sexta-feira (11) na BA-131, no município de Pindobaçu, localizado no norte estado. Um caminhão carregado com sacos de cimento capotou na famosa e perigosa Curva do Ingá, resultando na morte imediata do motorista. A vítima foi identificada como Cleberson Ferreira Lima, de 36 anos, natural de João Dourado. Ele havia saído de Campo Formoso e, ao tentar fazer a curva, perdeu o controle do veículo, que acabou capotando. Moradores e motoristas que frequentemente utilizam a rodovia relatam que a Curva do Ingá é um ponto crítico da BA-131, conhecida por seu alto número de acidentes, muitos deles com vítimas. As informações foram confirmadas pelo Calila Notícias, parceiro do Bahia Notícias. Apesar de ser uma curva sinuosa com proteção lateral, o trecho continua a ser palco de ocorrências perigosas. A Polícia Rodoviária Estadual foi acionada para registrar o acidente e controlar o tráfego na área. As causas exatas do capotamento ainda serão investigadas. Justiça eleitoral cassa mandatos de cinco vereadores do União e Podemos em cidade do Recôncavo por fraude de gênero; saiba mais sexta-feira, 11/07/2025 – 20h20 Por Redação Justiça eleitoral cassa mandatos de cinco vereadores do União e Podemos em cidade do Recôncavo por fraude de gênero; saiba mais Foto: Reprodução / A Justiça Eleitoral da Bahia cassou os mandatos de cinco vereadores eleitos em Maragogipe, no Recôncavo baiano. A decisão, tomada nesta quinta-feira (10) pela 118ª Zona Eleitoral de Cachoeira, ocorreu devido a uma fraude na cota de gênero nas eleições de 2024. A fraude envolveu os partidos PODEMOS e União Brasil, que apresentaram candidaturas femininas falsas segundo a justiça. O objetivo era enganar a lei eleitoral, que exige um percentual mínimo de candidatas mulheres. A Justiça considerou como provas a votação muito baixa das candidatas, a falta de movimentação financeira nas campanhas e a ausência de eventos públicos eleitorais. O partido ‘Podemos’ chegou a eleger 3 nomes para a câmara do município. Já o ‘União Brasil’, elegeu dois nomes na casa legislativa municipal. Com esta sentença, todos os registros dos partidos PODEMOS e União Brasil foram anulados. Isso significa que todos os vereadores eleitos por essas legendas perdem seus mandatos automaticamente, mesmo que não tenham participado diretamente da fraude. Os votos que esses partidos receberam serão desconsiderados, e a Justiça Eleitoral fará uma nova contagem dos resultados em Maragogipe. As informações foram confirmadas pelo parceiro local do Bahia Notícias, o Blog do Valente. Além disso, as candidatas Gilmaci dos Santos e Rosinea Borges de Sousa dos Santos, do PODEMOS, já estão declaradas inelegíveis por oito anos, a contar das eleições de 2024. Os partidos e os vereadores afetados pela decisão têm um prazo de três dias úteis para recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). Se houver recurso, eles poderão permanecer nos cargos até que haja uma decisão final. UFRB e DNIT criam um laboratório móvel para pesquisas em rodovias baianas sexta-feira, 11/07/2025 – 19h40 Por Redação UFRB e DNIT criam um laboratório móvel para pesquisas em rodovias baianas Fotos Ilustrativas: Google Maps / DNIT O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio do Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR), e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) desenvolveram um caminhão-laboratório. A ideia é levar um centro de pesquisa pela estrada para analisar as vias e prever acidentes. O caminhão conta com tecnologia embarcada para testes como a viga Benkelman e o FWD (Falling Weight Deflectometer), um equipamento que aplica cargas dinâmicas no pavimento para medir sua deflexão, avaliando a capacidade de suporte e auxiliando na manutenção. Imagem de cima do veículo | Foto: Divulgação Além disso, o novo veículo está equipado para o controle de qualidade de obras, permitindo ensaios de densidade de camadas e a compactação de amostras de solos e misturas asfálticas para análise no laboratório central da UFRB. O caminhão é completo, possuindo estufa, frigobar, banheiro feminino para pesquisadoras, ar-condicionado, energia própria com placas fotovoltaicas, gerador e internet via satélite. Mario Sergio de Souza Almeida, analista em Infraestrutura de Transportes do DNIT e professor da UFRB, destaca a importância do caminhão para o programa PRO-MeDiNa na Bahia, que monitora 15 segmentos experimentais. Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, diretor de Planejamento e Pesquisas do DNIT, avalia que a parceria entre as instituições contribui para a evolução dos projetos de infraestrutura. “Este novo equipamento vai permitir um enorme avanço nos trabalhos realizados pela autarquia, capaz de fornecer resultados com mais precisão e consistência”, afirma Mello. A colaboração entre DNIT e UFRB começou ainda em 2015, com a criação do Laboratório de Pavimentação da UFRB (PaveLab_UFRB) e a cessão de equipamentos pelo DNIT. Oeste da Bahia consolida nova fronteira do cacau com abertura da Cacauicultura 4.0 em Barreiras sexta-feira, 11/07/2025 – 19h30 Por Redação Oeste da Bahia consolida nova fronteira do cacau com abertura da Cacauicultura 4.0 em Barreiras Foto: Divulgação A 4ª edição da Cacauicultura 4.0 foi oficialmente aberta nesta quinta-feira (10), em Barreiras, no Oeste da Bahia, e reforça a região como nova fronteira produtora de cacau no Brasil. O evento, promovido pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), reúne produtores, especialistas e investidores de dentro e fora do país até sábado (12), no Parque Natural Engenheiro Geraldo Rocha. A cerimônia contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, do prefeito Otoniel Teixeira, do presidente da Aiba, Moisés Schmidt, além de lideranças políticas, secretários e vereadores. Durante a abertura, foi realizado um plantio simbólico de mudas da BioBrasil e iniciadas as palestras inaugurais, que discutem inovação, sustentabilidade e estratégias para fortalecer a cadeia produtiva do cacau no Brasil. Foto: Divulgação Entre os destaques, Schmidt afirmou que até 2026 a região deve ultrapassar 5 mil hectares de área plantada, com projeção de mais de 20 mil hectares até 2030, o que pode gerar investimentos de até R$ 3,9 bilhões e mais de 4 mil empregos diretos. “Barreiras já é referência nacional no agro e agora também avança com força na cultura do cacau. Nosso papel é seguir criando um ambiente favorável para quem quer produzir, inovar e investir”, destacou o prefeito Otoniel Teixeira. A programação seguiu nesta sexta-feira (11) com ciclo de palestras técnicas e continua no sábado (12), com o Dia de Campo na Fazenda Santa Helena, em Riachão das Neves. Clínica de estética é interditada em Vitória da Conquista após graves irregularidades e casos de lesões sexta-feira, 11/07/2025 – 18h40 Por Redação Imagem de agentes interditando o local Foto: Reprodução / PMVC Uma clínica de estética em Vitória da Conquista foi interditada definitivamente nesta quinta-feira (10) após determinação do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). A ação, conduzida pela Vigilância Sanitária e pelo Programa de Proteção e Orientação ao Consumidor (PROCON), revelou que pelo menos duas mulheres sofreram ferimentos estéticos. As fiscalizações iniciais já haviam identificado problemas como produtos vencidos, outros sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o funcionamento do estabelecimento sem o alvará sanitário. Segundo informações do Blog do Anderson, parceiro local do Bahia Notícias, a clínica já havia recebido um prazo de 90 dias para regularização, mas não cumpriu as exigências, o que resultou na interdição definitiva. Ao mesmo tempo, agentes da Polícia Civil concluiu um inquérito que expôs situações alarmantes no mesmo local. A investigação revelou que duas mulheres sofreram lesões sérias após procedimentos estéticos realizados na clínica, sendo que uma delas ficou com deformidade permanente. Imagens dos agentes fazendo fiscalização no local | Foto: Reprodução / Prefeitura de Vitória da Conquista O inquérito apontou práticas perigosas e anti-higiênicas, incluindo a utilização de seringas com plasma aquecidas em micro-ondas domésticos, que teriam causado explosões. Também foram encontrados medicamentos de uso restrito a prescrição médica, falta de higiene no ambiente e durante os atendimentos, e uso de telefone celular pelos profissionais durante os procedimentos. Em decorrência das descobertas, dois profissionais ligados ao estabelecimento — um fisioterapeuta e uma farmacêutica — foram indiciados. Eles responderão por crimes como exercício ilegal da medicina e falsificação de produtos terapêuticos, aguardando o processo em liberdade. O espaço permanecerá interditado até que todas as irregularidades sejam corrigidas, com as autoridades mantendo o acompanhamento do caso. Em nota, o advogado do fisioterapeuta indiciado afirmou que a interdição foi “equivocada e desproporcional”. Segundo a defesa, apenas três das dez salas da clínica foram interditadas para ajustes, e toda a documentação exigida pela Vigilância Sanitária teria sido enviada em abril, sem retorno. A defesa informou ainda que medidas legais foram tomadas e que a reabertura da clínica é esperada nas próximas horas. Ex-Prefeito de Itatim é alvo em investigação de chacina policial com oito vítimas](https://revistacanal.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMAGEM_NOTICIA_9-3-1-390x220.webp)


